Notícias

Na aposentadoria, risco vale para quem é mais jovem


Fonte:

Fonte: Funenseg


Turbulência evidencia que investidor de previdência privada deve reduzir ativos arriscados quanto mais perto está para receber benefício.


Por Sharlene Goff, do Financial Times

Quando os mercados de ações caem, um dos maiores gatilhos de pânico para os investidores privados é o pensamento de que suas economias para a aposentadoria estão desaparecendo diante de seus olhos. Os planos de previdência privada foram duramente atingidos pela fraqueza recente do mercado de ações e muitos investidores privados também viram uma grande parcela de suas economias para a aposentadoria ser corroída nas últimas semanas.

"A maioria das pessoas tem alguma posição acionaria em seus planos de pensão e desse modo sofrerão uma queda", afirma Neil Marsh, que trabalha com planos de pensão na Hornbuckle Mitchell. Mas para muitos poupadores, essas manchas de volatilidade no mercado não deverão ser uma preocupação muito grande.

Os planos de pensão são veículos de investimentos de longo prazo e os consultores estão confiantes de que as ações ainda são uma boa alternativa no longo prazo. Enquanto você conseguir suportar a volatilidade, não haverá motivos imediatos de preocupação. Mais sujeitas a riscos estão as pessoas que estão se aproximando da aposentadoria ou já recebem pensão.

Desde o novo regime tributário adotado no Reino Unido em abril de 2006, os investidores podem manter seus fundos de pensão investidos na aposentadoria e tirar um porcentual do bolo como renda a cada ano, em vez de comprar uma anuidade. Isso significa que, em lugar de ter uma renda pré-determinada pelo resto da vida, a renda que a pessoa pode ter a cada ano vai depender do desempenho de seus investimentos.

Pessoas que compraram uma anuidade não verão mudanças, uma vez que isso garante uma renda determinada pelo resto da vida. Mas qualquer pessoa que tenha optado pelos saques parcelados poderá ter suas economias reduzidas. Os mais duramente atingidos serão aqueles que ainda estão agressivamente expostos ús ações. Os investidores que estão prestes a se aposentar poderão ter de adiar beneficios até a recuperação dos mercados de ações, ou ficar com um nível de renda menor que o planejado inicialmente. "Se as pessoas quiserem preservar o capital que lhes restou, isso poderá significar uma renda menor", diz John Moret da Suffolk Life.

Investidores que já vem recebendo aposentadorias no nível máximo (ou próximo disso) poderão constatar que no próximo ano receberão menos porque seus fundos restantes podem estar valendo menos. As pessoas que agora sentem que estão expostas demais às ações e, desse modo, vulneráveis a novas quedas, poderão tentar transferir parte de seus ativos financeiro para áreas mais seguras.

No entanto, uma certa exposição às ações é considerado algo sensato no modelo de saques parcelados, uma vez que os fundos precisam durar mais de uma década. Peter Hicks, diretor executivo da Fidelity para o segmento de varejo no Reino Unido, acredita que uma exposição de 30% às ações é uma boa medida. Na verdade, ele diz que as pessoas que estão prestes a se aposentar podem ter até 100%de suas carteiras investidas em ações.

"É difícil quando os mercados sobem durante quatro anos e meio seguidos", diz ele. "As pessoas podem ter subestimado os riscos que estão assumindo. As últimas semanas e meses nos lembraram desses riscos" , diz Hicks. Consultores afirmam que os investidores privados também correm o risco de aplicar mal seus ativos. Muitos mudam para ativos mais arriscados justamente no momento em que deveriam evitá-los.

Investidores em fundos de pensão deveriam, no geral, estar bastante posicionados em ações quando ainda estão distantes da aposentadoria. Geralmente, vale a pena assumir mais riscos num estágio anterior, uma vez que há muito tempo para resistir aos ciclos do mercado.Quanto mais perto eles chegam da data de aposentadoria, mais eles deveriam olhar para ativos mais seguros, como os títulos de curto prazo de alta liquidez e os bónus. Essa mudança na alocação de ativos e conhecida como investimento de ciclo devida.

lan Price, diretor da área de pensão da St James's Placêe, diz que mais pessoas estão seguindo esse padrão, mudando para a renda fixa na medida em que se aproximam da aposentadoria. "Mas alguns investidores ainda optam por ficar expostos a ataques de todas as direções e mantêm suas aplicações em ações até bem depois", diz ele. "Algumas pessoas ficam adiando mais a mais suas aposentadorias, numa tentativa de tornar suas aplicações mais rentáveis, o que é uma postura bem aventureira."

Hicks afirma que os investidores sempre sentem a tentação de aderir a investimento que estão na moda, sem pensar na aplicação

em geral. A julgar pelo desempenho de algumas das áreas mais populares no ano passado - os mercados emergentes e os fundos imobiliários, por exemplo -, esta pode não ser uma boa decisão.

Ian Price diz que há também o perigo de as pessoas esquecerem de seus investimentos previdenciários. "Esse tipo de movimento do mercado deveria lembrá-las a prestar muita atenção onde estão investindo seu dinheiro e se certificarem que seus ativos estão no lugar certo na hora certa", afirma ele.

A queda recente dos mercados não afetou apenas as ações. Neil Marsh, da Hornbuckle Mitchell, diz que os investidores em fundos de participação também estão tendo um momento muito difícil.Os fundos de participação almejam amenizar os altos e baixos do mercado de ações. Mas, quando os mercados caem muito, as companhias de seguros podem se desfazer de bónus terminais ou introduzir penalidades para os investidores que tentam transformar suas aplicações em dinheiro. "Os bónus terminais estão sob ameaça no momento", afirma Marsh. "Aspessoas que estão perto da aposentadoria e que estão contando com um grande bónus terminal, podem querer mudar de investimento."

Mas, para os investidores previdenciários que ainda estão a alguns anos da aposentadoria, há pouca necessidade de mudar de objetivos. Os consultores pensam que qualquer um que está a cinco ou dez anos da aposentadoria deveria estar "comprado" (apostando na alta) o suficiente para compensar quaisquer perdas.

(Tradução Mário Zamarian)


« Voltar